Participei na Sexta-feira de uma Mesa Redonda sobre os Novos Caminhos da Musica Digital lá na Campus Party.
Estávamos eu, o Zé Rodrix (que nos anos 70 queria uma Casa no Campo, mas agora mudou bem o discurso), o Sonekka do Clube Caiubi de compositores, o Gustavo do Teatro Mágico e o André da Eletrocooperativa.
Bom, o ponto principal do debate era saber o que tava rolando e o que poderemos fazer prá vivermos de música na era digital, já que tudo que conhecemos neste mercado mudou radicalmente de 5 anos prá cá.
Um ponto interessante que chegamos a um consenso foi que cada artista é um artista, cada música é uma música, e cada divulgação é uma divulgação. Não temos mais a “fórmula-mágica-que-dá-certo-para-todo-e-qualquer-produto”. Aliás, nem mais podemos pensar na música como um produto. Voltou a ser uma obra de arte.
Alguns exemplos foram citados, por exemplo pelo Gustavo do Teatro Mágico com a experiência deles em redes sociais, em divulgar shows e juntar uma galera online que adora o som deles e tá sempre ligada no que rola. Este foi um, digamos assim, “case de sucesso” de divulgação. Mas Gustavo reclamou que eles não tocam em rádio, não aparecem na TV, etc, etc, etc. Putz, vamos esquecer este modelo antigo e pensar no novo ? Eles precisam aparecer na TV prá serem sucesso ? Acredito que não… Se eles aparecessem na TV e tocassem no rádio, com certeza ficariam mais conhecidos (óbvio), mas o público que eles iriam atingir não seria aquele que pode consumir o produto deles.
Nada adianta vc divulgar sua música prá quem não tem referência e ouvido prá distinguir o que é bom do que é ruim. É igual a vender geladeira prá esquimó. Vc tocar numa rádio popular faz as pessoas conhecerem seu produto, mas ao mesmo tempo pode levantar um “putz, isso não é legal”. Até porque o consumidor de rádio popular tá ligado em outro esquema, não tá querendo ouvir música diferente. Tá querendo mais do mesmo. E olha que ainda tem gente prá dedéu nesse esquema…
Outro ponto levantado foi do que a Eletrocooperativa faz. O André contou alguns cases sobre como eles tentam chegar ao grande público, vendendo CDs em vending machines, fazendo shows etc. Só faltou ele explicar como eles ganham ou ganharão dinheiro com isso. Ficou meio nebuloso. Mas a idéia é ótima.
O Sonekka contou sobre o Clube Caiubi de Compositores, que se esforça em criar conteúdo de todos os estilos, para todos os gostos, em esquema colaborativo. Escelente idéia, o conteúdo tá lá. Agora ele vai atrás de como entregar este conteúdo para o publico. Alguns podem ir em PenDrives, outros em CDs nos eventos em que tocam, outros ainda via internet, mesmo cobrando…
Zé Rodrix contou sobre sua experiencia de estar em gravadora, depender de gravadora, e agora ser o dono de todos os direitos autorais (vejam bem, autorais. Os fonomecanicos ainda são da gravadora) de suas músicas. O dinheiro do Zé vem em shows do Sá, Rodrix & Guarabyra. Nos shows eles vendem os CDs.
E assim vamos.
Eu levantei algumas bolas, como a necessidade do público ouvir sua música para finalmente a consumir. Isso é óbvio, mas poucas pessoas lembram que o “plim-plim” da Globo é marca registrada porque a cada 15 minutos aparece no ar. Que a Ivete Sangalo vende CD e show prá cacete porque vc liga o rádio, ela tá lá. Liga a TV, ela tá lá. Liga a torneira, ela tá lá. Só mostrando e marretando sua música é que o público acaba se acostumando com o som e compra.
Foi o que expliquei no post “O Fim da Musica como a Conhecemos“. Aquele lance de gravar o mesmo jingle 2 vezes numa fita K7. A pessoa ouve a primeira vez, estranha. O mesmo jingle rola de novo, o cara gosta.
Lógico.
O cérebro dele se acostumou com a novidade, e quando ouve de novo já entra numa zona de conforto, passando a aceitar o que ouviu.
O mesmo acontece com música.
Toca uma vez ? Muita gente pode gostar.
Toca duas vezes ? Mais gente com certeza vai aceitar.
Toca 1000 vezes ? O povo acostuma e consome. É vencer pela massificação.
Isso é indispensável prá vender música.
Mais um ponto que todos levantaram é o seguinte:
-Cada artista tem que procurar sua forma de vender sua música. Não existe fórmula mágica (como citado anteriormente). Cada um tem que ver se vale mais a pena dar música e ganhar com show, vender musica e dar alguma coisa diferente, sei lá.
O que importa é que caminhos estão abertos e 100% disponíveis para quem quiser trabalhar.
Que é o ponto final.
Trabalho.
Sem trabalho ninguém chega a lugar nenhum, né ? Na música é assim também, apesar de muita gente achar que é vida de vagabundo. Eu, por experiência própria, digo com todas as letras que não é…
Nada adianta vc ser o cara mais genial e criativo do mundo, se vc não grava e divulga sua música.
Artista que acorda 1/2 dia e acha que o mundo deve alguma coisa a ele tá morto.
Literalmente.
Tem que trabalhar, acordar cedo, divulgar, tocar, mostrar, conversar, tocar de novo, divulgar mais, etc, etc.
Só assim o povo conhecerá e consumirá seu som.
E tem lugar prá todo mundo…
Tudo de bom,
Billy.
PS_Só complementando aqui, a @rebokel retwittou @gabrieljacob sobre a sobrevivência da indústria fonografica, num arquivo do NYT. As gravadoras estão exatamente no ponto que comentamos. Procurando um formato prá sobrevivier…baseado nos piratas que elas tanto odeiam !!! Vamos ver no que dá. Acho válida toda e qualquer iniciativa. Link AQUI
PS2_ Uma grata surpresa foi eu me descobrir como um cara que achou um caminho na musica digital. Não tinha me dado conta disso. Ganho minha grana e pago minhas contas 80% pela música digital, como agregador e criador de conteúdo para podcast. Realmente não tinha pensado dessa forma. Muito bacana. hahaha.
PS3_ O Sonekka disse uma coisa legal. Ele trabalha com TI e tem música como hobby. Se vc não tem como viver 100% de música ainda, continue bem no lugar onde vc está, óbvio, sempre buscando o que vc quer. Mas não queira jogar tudo pro alto enquanto não tem como viver disso.
PS4_ Muitas bandas ainda tem no rádio e na TV o grande Pote de Ouro no final do Arco-Íris. Esquecam. Assim só serão mais do mesmo. O Teatro Mágico se destacou justamente por oferecer um som diferente, e usar a internet para divulgação. Se fossem tentar rádio e TV, como muitos artistas ainda tentam, não teriam o sucesso que têm hoje.
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Interessantíssimo, já estive envolvido com bandas novas, movimento na internet, rádio e essas coisas.
Interessante que o sucesso por aqui normalmente nada tem a ver com ganhar dinheiro, mas com ser microcelebridade mesmo.
E assim sendo, penso que o idela é sem dúvida divulgar pela internet. Se de alguma forma isso acabar nos veículos convencionais, que bom, do contrário, dane-se, cada um fazendo o seu e procurando construir um cenário local e fica tudo bem.
Opa. Estive lá e agora estou aqui me aprofundando um pouco mais.
Se alguém viesse hoje me perguntar
Qual o caminho pra trilhar uma carreira com música?
eu responderia:
- Todos!
Mas o pensamento paternalista que os caras tem, de que vão ter a sorte de encontrar um mega investidor que vai elevá-los à condição de estrelas e aí eles não precisarão fazer mais nada, mata todo mundo no ninho.
Observe: A cada Nx Zero que surge e emplaca, aparecem mais 100.A cada ” Renato Russo”, “CAzuza” que morre aparece outroas 100. Eu não ao certo qual o número cabalistico da cópia, mas o fato é que observamos até mesmo banda emplacando e passando a copiar a si mesmas , repetidas vezes no mesmo assunto, mesma levada, mesma estratégia monocórdia.
A internet oferece um milhão de ferramentas, mas é incrível como eles não tem paciencia nem pra manter um blog.
Esperemos, porem ao menos esperemos fazendo e pensando.
Concordo com o Sonekka……………… praticamente ninguem desse meio tem paciencia pra manter um blog,até criam, mas depois pagam alguem pra atualizar e atender todos os contatos…………
Lido diariamente com pessoas desse tipo. E todas querem “acontecer” de uma hora pra outra,sabemos que não é assim e quando essa realidade lhes é apresentada,eles quase morrem de desgosto.Realmente nao aparece nenhum mega investidor que banque o projeto assim.Se precisa trabalhar mto mesmo e divulgar,divulgar assim como o Billy disse, vencer pela massificação……….. Infelizmente nao existe fórmula mágica e se existisse,todos nós que trabalhamos com música ou pra músicam estariamos milhonarios……………………..
Pior é tentar encaixar um diferencial no repertorio ……….. simplesmente eles não acreditam !!! Realmente preferem apostar na mesmice já conhecida………………
Beijos meninos.
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