Blog do Maestro Billy

Blog do Maestro Billy – Podcasts, música e afins.

Quantidade versus Qualidade

Vamos ver se consigo me fazer entender aqui, já que em 140 caracteres não rola.

Hoje eu postei no Twitter – “Em música a máxima “quantidade é qualidade” não se aplica”.

Alguns não entenderam, alguns concordaram, mas uns perguntaram “E onde esta máxima se aplica?”.

Bom, deixa eu explicar primeiro o que eu tava fazendo prá chegar a esta “conclusão”.

Toda semana eu tenho um embate contra a música na internet. Sempre tenho que buscar músicas diferentes, Creative Commons, liberadas e autorizadas prá tocar na Radio Heineken.

Toda semana.

E não quero voltar a alguma cidade do mundo que já tenha programa feito.

Ou seja, Paris tem muita coisa ? Tem, óbvio. Mas já tem programa. Quem sabe daqui uns 2 anos eu volte a fazer algum programa com mais novidades.

Isso porque existem várias cidades do mundo que ainda não foram tocadas no programa.

Aí, lá vou eu semanalmente buscar músicas interessantes, de qualidade, de estilos variados, de uma mesma cidade.

É lógico que, como eu citei, Paris tem excelentes bandas de diversos estilos, prontas para tocarem seu material onde puderem, com licença Creative Commons aberta e tudo mais. Londres, Nova Iorque, Barcelona, Toronto, São Paulo, Rio de Janeiro e todas aquelas ditas “grandes cidades” tem gente e banda assim.

Agora, me diz uma coisa, onde vc acha música do Vietnam ? Ho Chi Min ???

Sim, eu tenho alguns resources de material de qualidade com licença CCommons, mas (aí vem o ponto), nem sempre quantidade é qualidade.

Posso procurar nos sites “Ho Chi Min”. Sim, vem pelo menos umas 30 bandas. Destas 30, 27 são de Rap (o produto mais fácil de se gravar e postar. Uma base, um vocal, e tá pronto), 2 são de Hip-Hop e 1 é pop.

Aí eu baixo. Das 30, 20 não prestam, 2 são boas e 8 são mais ou menos.

Vou para outro site. Acho 4 discos completos (EPs, quatro músicas). Baixo todos. Ouço as 16 músicas. 3 prestam, só que são do mesmo artista.

Mais um site, mais 20 bandas, e o mesmo acontece.

Chegando na conclusão de que quantidade não é qualidade. De todas as bandas e sites que procuro, apenar 10 ou 12 são realmente bons. Na minha humilde e modesta opinião. Não tô nem falando de qualidade artística, mas sim de qualidade técnica. Isso não tem como dizer que alguém é bom, quando é mal gravado, mal editado, mixado e postado em 22.500 Hz.

As 10 ou 12 bandas já estariam lá com suas músicas de qualidade prontas prá baixar, mas as outras todas, que fazem você se interessar por uma cidade (no caso da Heineken), não adiantam em nada. Só servem prá perda de tempo.

Aí vem alguém e diz:

-Maravilhas da internet. Pior é se não tivesse nenhuma banda, né ? Melhor ouvir lixo do que não ouvir nada!

Não concordo…

Onde a máxima “quantidade=qualidade” não se aplica ? 

-Quando vc descobre uma música excelente de uma banda. Vai procurar o resto, é só lixo.

-Quando vc se interessa por um produto de uma empresa, um joguinho, por exemplo. Procura outros, lixo master.

E assim vamos.

O que eu penso ?

Que o povo perde tempo e dinheiro fazendo só UM produto, e o resto é resto, é embalagem, é complemento.

Se UMA música for boa, o disco se vende… NOT !!!

Aí a gente volta naquele velho papo de “a música tá acabando porque ninguém compra um disco de 30 paus prá ouvir 2 músicas”. Pronto. Mais um exemplo de que quantidade não é qualidade…

Prá tudo, né ?

Só em alguns raros exemplos, como (imagino) desenhos, textos, matérias de jornais, aí sim a quantidade é qualidade. Quanto mais vc faz, melhor fica. Eu acho, pelo menos.

Vc pega certas “manhas” que te facilitam o trabalho, tornando-o melhor.

Jogador de futebol (esportistas em geral) é um que se beneficia do quantidade é qualidade. Quanto mais o cara treina chutes, melhor ele fica…

Foi ? Entendeu ?

Agora, por favor, coloque vários comentários aí. Só prá gente ver se quantidade é qualidade, no quesito “comentário”.

Tudo de bom,

Billy.

10 comments

10 Comments so far

  1. musicmoon November 17th, 2008 2:02 pm

    “a música tá acabando porque ninguém compra um disco de 30 paus prá ouvir 2 músicas”. Perfeito. Poucos artistas se safam, na verdade.

    Mas na música praticar também funciona. Quanto mais você compor, melhor vai ficando. Mas vc não precisa mostrar os rascunhos pros outros…

    Admin says
    O problema é a quantidade de rascunho solto no mercado. Coisa pronta, de qualidade, pouco se ouve…

  2. musicmoon November 17th, 2008 3:10 pm

    Justamente! Maioria dos artistas não espera ter várias obras “prontas” (ou ao menos em algum estado que já esteja apresentável, já que a arte nunca fica pronta) pra mostrar ao seu público. Ele sai escrevendo qualquer versinho só pra encher um disco, por exemplo. E aí temos hoje em dia muuuuuuuuuuuita produção, mas pouca qualidade, como vc mesmo colocou.
    Ah, bons tempos aqueles em que se era difícil fazer sucesso… Pq aí pelo menos as pessoas valorizavam a qualidade, mesmo.
    Adorei teu post. Acho que muitos por aí deviam lê-lo.

  3. Fernando Paraguassú November 17th, 2008 4:47 pm

    Pois eu acho mesmo que não só há muito rascunho por aí como muito rascunho vem fazendo sucesso. Logo, bandinhas/artitas medianos vomitam uma um CD por ano com uma quantidade de músicas infinitamente maior do que o sucesso deles. Prova disso é que você pega o CD e, de 10-12 músicas, 2 prestam, ouras 2 “se salvam”, o resto é enchimento.
    Quem consegue fazer uma produção gigantesca e, ainda assim manter uma mega qualidade, é gênio, o que também não quer dizer que dure para sempre (a pessoa pode ir ficando velha, enferruja e tal).

  4. Leandro Bulkool November 17th, 2008 9:03 pm

    Concordo plenamente, quantidade não é qualidade. Pode dar bagagem e até repertório, mas não é qualidade.

    Acho que isto é fruto de duas coisas. A primeira é a facilidade de produzir e veicular / publicar material hoje. Qualquer um grava e edita em casa. Isso faz com que um pouco do capricho seja perdido.

    O outro fator é que a indústria (sempre ela rs), tem produzido tanto do mesmo, que estamos ávidos por ouvir coisas novas e então abusamos da outra facilidade de ter acesso ao material publicado. No fim, algumas coisas que nunca chegariam nas mãos de um público maior, começa a chegar e até ser aplaudido, mesmo que não mereça.

    A boa notícia, é que desta história, a minoria tende a ser realmente muito boa.

  5. Akira November 18th, 2008 3:45 am

    Vou discordar apenas para fazer o contraponto.

    Na política essa máxima não se aplica. Pessoalmente, prefiriria ter uns 10% da quantidade de Senadores, Deputados, Vereadores e afins para agilizar as decisões e dar um peso mais representativo de cada estado nas respectivas casas.
    Menos gente pra decidir as coisas, menos gente pra molhar as coisas, menos gente pra vigiar pra não aprontar tanta maracutaia.

    Mas em geral, você tem razão, menos é menos mesmo. Em qualquer situação.

  6. musicmoon November 18th, 2008 5:47 am

    “a facilidade de produzir e veicular/publicar material hoje.” – um dos males da nossa era, a velocidade de informação. Tudo pode ser substituído no mercado por algo melhor rapidamente, então pra que produzir com qualidade, já que vai durar pouco mesmo? Tudo virou descartável hoje em dia.

  7. admin November 18th, 2008 5:56 am

    Leandro,
    E o engraçado é que deveria ser ao contrário. Com o “fazer em casa” as pessoas poderiam perder mais tempo e se esmerar mais em finalizar algo de qualidade, já que não estao pagando estudio por hora… mas realmente é o contrario.

    Akira,
    Mas imagina só se estes poucos politicos resolvem se mancomunar. Se com 300 e poucos já rola sacanagem, imagina com 10 ou 25, 26… tem o lado bom e o ldo ruim disto tbem.

  8. Jonny November 18th, 2008 11:38 am

    Por isso que aqui no Brasil se vende tanto disco de novela. Eles pegam as músicas “boas” do momento e colocam em um único disco! Com isso, dá para economizar a compra de uns 4 CDs!

    Falando um pouco mais sério, será que a venda de músicas por unidade (mp3) ao invés de um disco completo não tente a fazer as bandas “comerciais” lançar melhores músicas? Ou eles vão aumentar o Jabá só para mais músicas fazerem sucesso nas paradas? Ou vão continuar como é hoje?

  9. admin November 18th, 2008 12:14 pm

    Jonny,
    Foi o que eu escrevi num post anterior, sobre coletaneas. Os caras fazem isso mesmo. Pegam as “melhores”, juntam num CD e vendem. É o ultimo suspiro da mídia CD, na minha opinião.
    Acho que com o MP3 vendido por unidade, teremos mais gente fazendo menos porcaria. Acho…

  10. joana November 13th, 2009 3:36 am

    sou pianista, mas sempre me interessei pela ciencia, tecnologia, conhecimento da realidade.
    nesse principio de mundo descartavel, made in china, estamos inundados de produtos de bela aparencia mas de qualidade e durabilidade péssima. penso que isto é uma inversão de valores, pois aqueles que produzem algo muito bom, muito duravel, muito eficiente, deixaria de produzir pois os que estão em uso durariam eternamente, assim esse produtor poderia avançar tecnologicamente, e produzir outras coisas muito melhores ainda do que produzia antes.

Leave a reply